O simpático monstrinho
Yago Mateus, atual armador do Paulistano e grande perspectiva de futuro para a seleção brasileira de basquete, é também uma esperança em pessoa
Por Felipe Alves
02/06/2020 - Atualizado há um dia
O estereótipo de um grande atleta é alicerçado em uma história de vida sofrida. Para além do clichê, Yago (21) é uma figura ambiciosa e de personalidade curiosa. Essa percepção eu tirei no momento em que o chamei pelo Instagram, a fim de realizar essa conversa. A começar por uma de suas características físicas: Yago possui 1,78m, altura baixa para o basquete. Sua altura e característica de jogo é o que explica seu apelido: “monstrinho”.
Dentro de um contexto de pandemia, Yago gentilmente me cedeu um horário. Talvez seja errado dizer, mas confesso que fiquei em dúvida entre agir como um fã ou jornalista, mesmo sabendo que o meu trabalho era o que importava.
Adolescência e rápido aparecimento no basquete
"Aos 11 anos eu saí de casa para morar sozinho sem a noção de que aos 18 iria parar na seleção brasileira", disse Yago.
Finalista de NBB e campeão paulista. Motivo de orgulho para mãe, que na insegurança de um ato deixou Yago aos 11 anos ir para um alojamento na capital paulista. Sem muitos recursos financeiros para voltar em visitas, Yago viveu um distanciamento social desde lá, sem nem precisar de algum vírus.
Yago chegou ao Paulistano com 17 anos. Dentro de sua ótica, a estrutura que a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) oferece é primordial para a preparação dos atletas. No momento em que questionei as palavras de otimismo dirigidas à instituição, ele rebateu. "A CBB ajuda o basquete e já me ajudou muito. Temos um basquete de ótima qualidade praticado aqui", disse.
O ápice de todo atleta é representar o seu país, por trazer consigo o fato de que o filtro para que isso aconteça é a seleção dos melhores jogadores. Percebi, pelo gesto cibernético do Yago, que dialogar sobre a seleção o empolga. Tinha perguntado qual foi a melhor sensação que ele já vivenciou em quadra. Ele desenvolto e eu com a ciência de que estava falando com alguém com muito basquete a entregar. O chamei de "Neymar da bola laranja". Ele riu e levantou a ideia. "Como atleta, ele é um ídolo para mim, mesmo", disse, depois de manifestar algumas risadas com teor de simpatia.
O sonho da NBA
Entre responder minha mãe - que me chamava para jantar - e dedicar atenção ao diálogo com Yago, entendi que a maior ambição dele é estar entre os melhores sempre. Isso dá a entender que a NBA seja uma consequência de seus objetivos. Ele confirmou e até engrossou mais a voz.
O pretexto maior para que o sonho ficasse menos distante, foi conhecer Kobe Bryant: um dos maiores astros da história do basquete. Embora eu tenha percebido que, na resposta dada, o Yago deu a entender que isso não foi tão essencial, afinal, ele tinha 14 anos no ocorrido.
Depois de participar do jogo das estrelas em 2018 e, no mesmo ano, ser MVP (lê-se prêmio de melhor jogador) do campeonato sul-americano, Yago verdadeiramente alimentou o sonho de pertencer a maior liga de basquete do mundo. "Vi que era possível", disse, animado com a ideia.
Quarentena e perspectivas de futuro
Muito sorridente, Yago partilhou comigo que está fazendo aulas de inglês. Questionei como se já existisse algo relacionado a jogar em solos norte-americanos. Ele, tímido, negou. Enfatizou de que o tempo de quarentena têm feito ele estudar mais.
Sob a cor escura do céu da noite – que dá para ver da minha janela, frente ao meu espaço de trabalho – decidi questioná-lo sobre o futuro do basquete brasileiro. A simpatia de Yago saltava os olhos e era transformada, mesmo ao final de um papo, em palavras de otimismo.
“Espero que, primeiro, todos possamos sair dessa fase ruim. Estamos correndo risco de vida. Depois, quero conquistar algo grande com a seleção brasileira. Temos uma geração de muito talento e o país merece coisas felizes”, disse.
Despedi-me e em um botão, desliguei-me. Do lado de cá, da tela, ficou um alívio de as coisas podem ser melhores.

Yago comemora ponto em jogo da NBB - Foto/Reprodução: FIBA

