O desbravador Earl Lloyd
Em uma época de segregação racial nos Estados Unidos, o afro-americano abriu as portas do esporte mais praticado do país para seu povo
Por William Reis e Vitor Gabriel
02/06/2020 - Atualizado há um dia
Quem assiste a NBA atualmente percebe que grande maioria dos jogadores são negros. Aproximadamente 75% dos jogadores compõem essa representação. Porém, há 70 anos a história não era a mesma.
No final da temporada 1949/1950, a NBA não tinha nenhum jogador negro. Porém, no draft de 1950, Nathaniel Clifton, Chuck Cooper e especialmente Earl Lloyd foram draftados, mudando permanentemente a história de uma liga. No dia 31 de outubro de 1950, Earl se tornava o primeiro afro-americano a competir na liga mais famosa do mundo. “Quando Earl saiu da quadra naquele fatídico dia em 1950, esse homem notável conquistou merecidamente seu lugar na história dos movimentos pelos direitos civis, e mais importante: ele abriu a porta para a igualdade na América”. Disse Brian Hemphill, presidente da Universidade do Estado de Virginia, após a morte de Earl Lloyd.
O jornalista Sean Kirst, amigo e co-autor da biografia de Earl, “Moonfixer”, relata ao “The Sixers History Podcast” como foi o primeiro dia do atleta com seu time. “Quando ele entrou no vestiário pela primeira vez, cercado de brancos, foi a primeira vez em sua vida que ele teve uma verdadeira conversa com um branco, que não era atrás de uma mesa, uma conversa normal com uma pessoa branca.”.
Na época, os Estados Unidos começavam a viver uma fase de mudanças na questão racial, movimentos pró-direitos civis para afro-americanos crescendo por todo país até atingir seu ápice no início dos anos 60, com os discursos de Martin Luther King Jr e Malcolm X.
Carreira
Lloyd, fora originalmente draftado pelo Washington Capitals, porém pouco jogou, pois no início de janeiro de 1951, ele foi convocado para servir ao exército dos Estados Unidos.
Ao término de seu período no exército, Earl Lloyd entrou na equipe do Syracuse Nationals, onde jogou por seis temporadas, incluindo seu único título, em 1955, quando seu time bateu o Fort Wayne Pistons, por 4 a 3 nas finais.
Como era de se esperar nos anos 50 nos Estados Unidos, Earl sofreu vários casos de racismo em sua carreira. Torcedores mais exaltados além de o ofenderem com cunhos pejorativos, cuspiam e jogavam objetos nele.
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Legado
Earl Lloyd, depois de quebrar inúmeras barreiras na NBA, foi induzido ao Hall da Fama do Basquete em 2003. Teve uma curta carreira, porém muito significativa até hoje para muitos jogadores. Um deles é Kawhi Leonard, jogador do Los Angeles Clippers que em entrevista para o site “The Undefeated” demonstrou profundo afeto por Earl. “Ele foi um cara que pavimentou um caminho para nós dentro e fora de quadra. Ele era amado por fãs e pessoas de outras raças quando jogava, e era tratado de maneira diferente fora das quadras pois ele não tinha o mesmo tom de pele. Eu aprendi por suas experiências e trago elas para a minha vida.”. Earl Lloyd morreu em 2015, mas seu legado ainda vive, e sua entrada na NBA abriu as portas para milhares de jovens que sonham com a liga mais famosa do mundo.
The Sixers History Podcast sobre Earl Lloyd:

Earl (de terno) na festa do Hall da Fama do Basquete - Foto/Reprodução: Wikipedia

